sábado, 17 de dezembro de 2011

Volta

Nesse momento estou ouvindo Os Mutantes, disco O A e o Z. Confesso que não estou sentindo nada, talvez se tivesse ouvindo O Jardim Elétrico... Mas confesso também que me movo a escrever meus loucos textos depois de muito, mas muito tempo mesmo. Só que dessa vez eu encontrei motivos, motivos, diria interessantes. Desde meus últimos textos, que eram uma declaração melosa às minhas jóias que não podia colocar na caixinha de preciosidades, cresci admiravelmente. Mesmo os que me conhecem não perceberam minha mudança, pois eu mudei para mim mesmo, para o meu proveito... Egoísta, eu? Jamais. Há coisas aparentemente más que são necessárias e fazem bem. Mas chega de explicações que não serão entendidas, logo desnecessárias. Volta ao foco. Todos os dias eu volto. Eterno retorno. Mas há uma volta em especial: a volta para casa depois da faculdade na última hora do dia. Depois de um dia inteiro de trabalhos, esforços e viagens, eu volto para casa. Diferente do comum, só para variar, pego o caminho mais longo. Quando me perguntam o porquê digo que é por causa do perigo que é vir sozinho por aquela rua, mas a verdade é que vindo pelo caminho mais longo tenho mais esperanças... Mais ânimo. Nós vivemos sempre buscando, buscando coisas novas, pessoas novas, buscando acolhimento, um abraço apertado, um beijo na bochecha, um forte aperto de mãos, um “que saudades de você”... Algo que nos faça se sentir bem. Eu não fico atrás... Depois de um dia inteiro de trabalhos, esforços e viagens... Que alguém que me diga boa noite não por educação, mas por querer mesmo que eu tenha uma boa noite. Às vezes nossas atitudes são disfarçadas. O hábito destrói os sentimentos e o pouco que há de razão neles. Todo mundo diz “Bom Dia”, mas fariam tudo para dar-lhe realmente um bom dia? Muitos perguntam “está tudo bem?”, será que estão realmente interessados e dispostos a ouvir? Pior ainda: a resposta. Bom dia está tudo bem... Verdade ou mentira? Nenhum dos dois, apenas educação. Estou voltando para casa e no caminho me pergunto: será que estão me esperando na sorveteria? Ou na esquina de casa? Será que alguém foi me visitar enquanto não estava? Deixaram mensagem? Sem respostas me calo e vejo aquelas mesmas imagens: as mesmas velhinhas na Catedral, os mesmos “malacos” no bar perto da assembléia, o cara assistindo TV na lanchonete porque já não têm mais nenhum cliente, os mesmos bêbados no bar... Ônibus,quando ainda tem, moto taxi, bicicletas: cenas comuns a toda noite. Então a noite termina e, é claro, quem espera sempre alcança: o vô e a vó me esperam na sala. Eles não são os melhores vigilantes, um dos dois sempre está dormindo, mas as luzes ainda estão acesas e a TV ligada, sinal da espera por mim. Com isso aprendi que espero ou esperamos demais de quem não nos dará mais que o que querem dar, e às vezes sentimos que é pouco demais. E não esperamos nada de quem nos dá mais que o necessário. Espero das pessoas erradas. Espero demais. Quem espera nem vai nem volta só espera. E eu estou de volta. Voltei com novas esperanças, mas com as mesmas certezas. Voltei não para trás, pois o tempo não volta, e agradeço por isso. Voltar não é regredir, é começar, recomeçar, começar de novo, dar o primeiro passo depois de uma longa caminhada. Voltar é ir para um futuro diferente num espaço comum, simples, monótono, preto e branco. Afinal vivemos num eterno retorno.

Diário de férias #1 Luciano Tiago Beserra da Silva
Foto: minha mesmo; luzes da penitenciaria de Americano.

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